Calculadora de orçamento

Compare o que você gasta de verdade com a regra 50/30/20 e descubra se ela é uma meta possível para a sua renda. Em muitos casos não é, e o motivo não tem nada a ver com disciplina.

Seu mês

R$

O que efetivamente cai na conta, depois dos descontos.

R$

Moradia, contas de casa, mercado, transporte, saúde e escola. O que você pagaria mesmo num mês ruim.

R$

Delivery, streaming, roupa, lazer, viagem. Gasto que dá para cortar sem mudar de vida.

R$

Reserva, investimento e pagamento adiantado de dívida. Dívida em atraso conta como essencial, não como isso.

Com renda de R$ 4.000,00, os essenciais ocupam 60%, os desejos 25% e o que você guarda 10%. Sobram R$ 200,00 no mês.

Sobra no mês

R$ 200,00

O que não foi para nenhuma das três categorias.

Essenciais

60%

R$ 2.400,00, contra 50% na regra

Desejos

25%

R$ 1.000,00, contra 30% na regra

Guardado

10%

R$ 400,00, contra 20% na regra

A regra 50/30/20 não cabe aqui

Seus essenciais consomem 60% da renda, e a regra pressupõe 50%. Para ela caber com esses custos seria preciso ganhar R$ 4.800,00. Isso não é falta de disciplina, é aritmética: na conta, o que mais mexe nessa proporção é o tamanho dos custos fixos grandes e da renda, bem mais que os gastos pequenos.

Sobraram R$ 200,00 sem destino nesta conta. Esse valor ainda não aparece em nenhuma das três categorias (essenciais, desejos ou guardado).

Como usar a calculadora

Renda líquida do mês

O que cai na conta, já sem INSS e Imposto de Renda. Com renda variável, a média dos últimos meses (ou o mês mais fraco) dá um retrato mais fiel do que o melhor mês.

Gastos essenciais

O teste é simples: você pagaria isso num mês em que tudo deu errado? Aluguel, contas de casa, mercado, transporte para o trabalho, saúde e escola passam no teste. Delivery e streaming não passam, mesmo que pareçam indispensáveis.

Quanto você guarda

Reserva, investimento e amortização de dívida. Uma confusão comum: pagar dívida atrasada não é guardar, é gasto essencial. Só conta aqui o que você paga além do mínimo para quitar antes.

Como o cálculo é feito

A página não distribui percentuais

Multiplicar a renda por 50%, 30% e 20% devolve três números, mas não diz nada sobre os seus gastos de verdade. Aqui o caminho é o inverso: você informa o que gasta e a página calcula os seus percentuais reais.

A renda mínima sai dos seus custos

Se os essenciais precisam caber em metade da renda, então a renda precisa ser o dobro dos essenciais. É uma conta de uma linha, e ela mostra de imediato se a regra cabe ou não nos seus números.

A fórmula aberta

percentual real = gasto da categoria ÷ renda líquida × 100
desvio = percentual real − percentual da regra
renda mínima para a regra = gastos essenciais × 2

A última linha resume a regra inteira.

Exemplo com números reais

A regra aplicada literalmente, em cada faixa de renda:

Renda líquida50% para essenciais30% para desejos20% para guardar
R$ 1.621,00R$ 810,50R$ 486,30R$ 324,20
R$ 3.000R$ 1.500R$ 900R$ 600
R$ 5.000R$ 2.500R$ 1.500R$ 1.000
R$ 10.000R$ 5.000R$ 3.000R$ 2.000

Na primeira linha, quem ganha um salário mínimo teria R$ 810,50 para pagar moradia, luz, água, gás, internet, mercado e transporte do mês inteiro.

A regra exige que você ganhe o dobro dos seus custos

É outra forma de enunciar a mesma 50/30/20, e ela mostra de onde vem a dificuldade: a relação entre a sua renda e o custo de vida onde você mora.

Se os seus essenciais somamA regra só cabe ganhando
R$ 1.200R$ 2.400
R$ 1.800R$ 3.600
R$ 2.500R$ 5.000
R$ 3.500R$ 7.000
R$ 5.000R$ 10.000

Num exemplo com R$ 2.500 de essenciais (aluguel, contas, mercado e transporte), essa pessoa precisaria ganhar R$ 5.000 líquidos para estar dentro do padrão. Quem ganha menos que isso não está falhando no orçamento: está enfrentando uma conta que não fecha.

Na conta, o que mais muda essa proporção são os custos fixos grandes, em geral moradia e transporte: eles mexem no percentual muito mais do que os gastos pequenos. E a regra é uma referência, não uma nota: guardar um valor menor que 20%, todo mês, também aparece no resultado como dinheiro guardado.

Quando a regra cabe, os 20% deixam de ser um limite. Se os seus essenciais ocupam 35% da renda, sobra espaço na conta para guardar 20% ou mais; quanto, é escolha sua.

Antes de calcular: 30 dias de gastos reais

O resultado só é tão bom quanto os números que entram. A estimativa de cabeça ("acho que gasto uns R$ 3 mil") quase sempre erra, e erra para menos nos gastos pequenos e frequentes. Um mês de registro, do mercado ao café, sem cortar nada, mostra o retrato real. Depois, cada categoria cai em um dos três grupos da regra:

CategoriaO que entraGrupo
MoradiaAluguel ou prestação, condomínio, IPTU, luz, água, gás, internetEssencial
Alimentação básicaMercado e feiraEssencial
TransporteÔnibus, combustível, transporte até o trabalhoEssencial
Saúde e educaçãoPlano de saúde, remédio contínuo, escolaEssencial
Alimentação foraDelivery, restaurante, lancheDesejo
Lazer e assinaturasStreaming, bar, cinema, academia, viagemDesejo
PessoalRoupa, cabelo, presentesDesejo
FuturoReserva, investimento, amortização extra de dívidaGuardar

Os achados mais comuns no fim do mês: alimentação fora maior que o mercado, uma categoria "outros" que soma centenas de reais e transporte por aplicativo acumulado sem perceber.

Quando a renda é apertada

Com renda baixa, os gastos variáveis costumam já estar no mínimo, e cortar centavo a centavo muda pouco o percentual. A aritmética aponta para três alavancas:

  • Custos fixos. Moradia e transporte são as maiores linhas do orçamento. Renegociar internet, celular e plano de saúde rende pouco por mês, mas é permanente: R$ 40 a menos por mês são R$ 480 por ano.
  • Benefícios não usados. Famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico podem ter acesso a programas como a tarifa social de energia. As regras ficam com o CRAS do município.
  • Renda. Quando o orçamento já é enxuto, cada real a mais de receita vai inteiro para a sobra. A calculadora mostra a renda em que a regra passaria a caber, e a distância até ela.

Onde o orçamento entra no planejamento financeiro

O orçamento é uma etapa de uma sequência. A ordem mais usada no planejamento financeiro pessoal é esta, e cada etapa tem uma conta própria:

  1. 1. Diagnóstico. Renda líquida real, gastos por categoria, dívidas com juros e prazo, patrimônio. É a entrada de todas as outras contas. Salário líquido
  2. 2. Metas com valor e prazo. R$ 30 mil em 3 anos a 10% ao ano exigem cerca de R$ 723 por mês. Se não cabe, mudam o prazo, o valor ou a renda. Meta financeira
  3. 3. Orçamento. A divisão da renda entre essenciais, desejos e futuro, que é o que esta página calcula.
  4. 4. Dívidas caras. Listadas por taxa de juros. A conta compara o custo de cada uma com o que o dinheiro renderia aplicado. Bola de neve
  5. 5. Reserva de emergência. Alguns meses de gastos essenciais em aplicação de resgate rápido, para imprevisto não virar dívida. Reserva de emergência
  6. 6. Investimento de longo prazo. O que sobra depois das etapas anteriores, onde o tempo e os juros compostos fazem a maior parte do trabalho. Juros compostos
  7. 7. Revisão. Mensal para os gastos, periódica para metas e reserva. Mudou emprego, cidade ou família, os números mudam.

A ordem existe por causa dos juros: aplicar a 10% ao ano com uma dívida a 400% ao ano aberta é perder a diferença todo mês, e investir sem reserva costuma significar resgatar na primeira emergência, às vezes no pior momento.

O que esta calculadora não cobre

  • Gastos anuais. IPVA, IPTU, seguro e material escolar não são mensais, e ignorá-los faz o orçamento parecer melhor do que é. Divididos por doze, eles podem ser somados aos essenciais.
  • Renda variável. Para quem recebe por comissão ou como autônomo, um mês bom pode esconder a variação ao longo do ano.
  • Dívidas. A regra não separa dívida cara de investimento. Com juros altos em aberto, a conta da dívida pesa no orçamento de um jeito que esta página não mostra.
  • Custo de vida local. O mesmo salário rende de forma muito diferente entre capitais e cidades pequenas.
  • Composição familiar. Filhos, dependentes e despesas de saúde recorrentes mudam completamente o piso dos essenciais.

Perguntas frequentes

Veja também